O prazer de degustar um bom charuto cresce com as aventuras de personalidades em torno dos habanos
Pouco importa se verdadeiras ou se apenas folclore. As histórias e aventuras de personalidades apaixonadas por charutos engrandecem o prazer de degustar um bom habano, como mostram os cinco episódios a seguir.
1. Winston Churchill - Terminados os bombardeios em Londres, durante a Segunda Guerra Mundial, a primeira preocupação de Churchill, então primeiro-ministro da Inglaterra, era ligar para a Tabacaria Dunhill e verificar o estado de seus charutos. Somente depois de se certificar de que estava tudo bem, ele saía para verificar os danos à cidade. O estadista fumou mais de 300.000 charutos em sua vida e até deu nome a alguns deles. Conta-se que seu café-da-manhã eram duas taças de champanhe e um charuto. Ainda na Segunda Guerra, o general Montgomery, famoso pela campanha na África e já com pretenções políticas, teria dito: "Não bebo, não fumo, durmo bastante e por isso estou 100% em forma". A que o primeiro-ministro teria respondido: "Eu bebo, fumo, durmo pouco e estou 200% em forma".
2. J. F. Kennedy - Certo dia, o presidente Kennedy pediu que um assessor lhe comprasse o maior número de charutos H. Upmann que conseguisse. Quando recebeu 1.000 charutos da marca, Kennedy abriu a gaveta, retirou um papel e assinou o decreto que proibia a comercialização de todos os produtos cubanos em território americano. Em outra história, Kennedy ordenou que seu assessor de imprensa Pierre Salinger entregasse imediatamentte à Alfândega dos Estados Unidos a caixa de Cohibas cubanos que trazia de uma viagem à então União Soviética. Quando já estava com o recibo de entrega, Salinger resolveu perguntar o que seria feito dos charutos. "Vamos destruí-los", disse o agente. "Entendi, um por um", respondeu Salinger.
3. Thomas Edson - Para tentar enganar os amigos que viviam roubando seus charutos cubanos, o famoso inventor mandou fazer exemplares falsos com folhas de repolho envoltas em papel pardo. Mas o desligado Edison acabou se confundindo e fumando ele mesmo os falsos no lugar dos verdadeiros.
4. Sigmundo Freud - É do pai da psicanálise uma das frases mais famosas entre os apreciadores de charutos. Quando questionado sobre o formato fálico do produto, ele respondia: "As vezes, um charuto é apenas um charuto". Para fazer parte do seu seleto grupo de estudo, o candidato tinha que fumar charutos, o que tornava algumas das reuniões uma verdadeira cortina de fumaça.
5. Groucho Marx - Durante um programa de televisão, ao entrevistar uma senhora que tinha 22 filhos, Groucho perguntou o motivo de tantas crianças. "Amo meu marido", respondeu a mulher. "Eu também amo meu charuto, mas o tira da boca de vez em quando", respondeu o humorista. Ele gostava tanto de habanos que, um dia, sua mulher exigiu que ele escolhesse entre ela e os charutos. A resposta foi direta: "Espero que passamos continuar bons amigos".
Este texto foi publicado na revista Prazeres da Mesa e enviado por nosso confrade Leonardo Isaac.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
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O princípio de tudo
O descobrimento da Nicotiana Tabacum pelos europeus coincide com o descobrimento da América, os índios americanos já conheciam seus milagres. Essencial na medicina, imprescindível em cerimônias religiosas e militares, complemento alimentar de qualidade e um alucinógeno para lá de eficiente, o tabaco ainda teria muitos papéis a cumprir. Aqui, na longínqua, pouco civilizada e nada habitável América, na opinião dos europeus é claro, essa planta já não podia faltar. Conta-se que os índios da região caribenha, os taínos, fumavam folhas de tabaco entrelaçadas há mais de dois mil anos.
Os astecas, membros da civilização antiga do México, consideravam o sumo das folhas do tabaco um antídoto insuperável contra o veneno das cobras. Os maias, povo indígena de vários países da América Central, até mesmo do México, lhe atribuíam poderes milagrosos e costumavam oferecer aos deuses a primeira colheita do tabaco para atrair a chuva. No Brasil, os índios aracujás ingeriam as folhas misturadas com outros alimentos. Os winnebagos, aborígines norte-americanos, o consideravam um presente dos deuses ao primeiro dos seres humanos. E nativos do Amazonas iniciavam seus jovens no mundo adulto fazendo-os aspirar o aromático fumo.
Quando, no domingo de 28 de outubro de 1492, Cristóvão Colombo aportou na baía de Bariay, ao norte da atual província cubana de Holguín, a história do tabaco começou a mudar. Ao desembarcar em Playa Blanca, dois jovens marinheiros da esquadra espanhola, Rodrigo de Jerez e Luiz de Torres, foram escolhidos para dar os primeiros passos na nova terra. A missão era encontrar ouro.
O objetivo inicial não foi cumprido naquele breve passeio. Mas os dois exploradores foram os primeiros europeus a fumar o que se conhece por charuto. Colombo registrou em seu diário (na terça feira 6 de novembro do mesmo ano), enquanto voltava à Europa, que sua tripulação “encontrou muito gente que atravessava o povoado; mulheres e homens, com um tição entre as mãos e ervas para tomar a defumação à qual estavam acostumados.”
Jerez levou folhas de tabaco para Ayamnte, na Espanha, sua cidade natal. O entusiasmo do marinheiro ao mostrar a familiares e amigos como se fumava um charuto custou caro. Na primeira baforada foi acusado de estar possuído pelo demônio. O poder da igreja européia no século XV e a falta de misericórdia da Santa Inquisição fizeram com que ele fosse julgado por heresia e condenado a anos de prisão.
Os espanhóis foram os primeiros a conhecer o desprazer do tabaco. Em 1586, o rei Felipe II ordenou que as folhas de tabaco fossem queimadas em praça pública por serem prejudiciais ao corpo e ao espírito, além de contrariar as regras cristãs impostas pela igreja e controladas, sem dó nem piedade, pela Inquisição. O rei também puniu, com chicotadas, os que cultivavam e vendiam o tabaco. O pior castigo foi enviá-los às colônias americanas. Porém, segundo pesquisas históricas,os espanhóis que moravam em Cuba cultivavam o tabaco desde 1520
A perseguição ao fumo, que superava em muito as punições antitabagistas aplicadas hoje, alcançou a Pérsia, o Japão, a Turquia e a Rússia. A primeira medida do reinado do xá persa Abbas-Sofi, em 1590, foi condenar à morte aqueles que utilizavam o tabaco par qualquer fim. No Japão do século XVII, o shogum de Tokugawa determinou 50 dias de prisão para os fumantes, além de confiscar todos os seus bens.
O sultão Amurates, da Turquia, foi ainda mais severo: ao assumir o trono em 1622, ordenou que os charuteiros tivessem as orelhas e a ponta do nariz cortado. Na Rússia, o czar Aléxis obrigou os fumantes a realizar trabalhos forçados na Sibéria. Os castigos variavam da tortura à pena de morte.
Nessa mesma época, o cientista alemão Johan Neander publicou um estudo sobre os efeitos terapêuticos do tabaco. A descoberta do uso medicinal da planta pela quais tantos morreram começou a reverter à tragédia que atravessaram fronteiras.
O tabaco passou da rejeição à adoração em pouco tempo. Catarina de Médici, rainha da França entre 1519 e 1589, recebeu de seu embaixador em Portugal, um punhado de folhas de tabaco de presente. As folhas entregues por Jean Nicot logo viraram pó e serviram para combater as freqüentes e intermináveis enxaquecas da rainha. A homenagem foi imediata, Jean Nicot emprestou seu nome à planta, batizada de Nicotiana Tabacum.
A primeira fábrica cubana de charutos foi inaugurada em 1810. No fim do século XIX, a ilha possuía 1320 produtores com marcas próprias. Não demorou para que o ofício de tabaqueiro chegasse a países vizinhos, como Costa Rica, Jamaica, Republica Dominicana, México e até o Brasil, mas isto já é uma outra história
Texto de autoria de Cesar Adames.
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